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Ao fundo, a jornalista Patricia Lélis, 22, abraça Talma Bauer, chefe de gabinete de Feliciano (PSC-SP)

O assessor do PRB Emerson Biazon, que acompanhava a estudante de jornalismo Patricia Lélis, 22, em sua visita a São Paulo, afirmou em depoimento à Polícia que a jovem aceitou receber dinheiro para inocentar o deputado e pastor Marco Feliciano (PSC-SP), a quem acusa de tentativa de estupro.

Segundo Biazon, Lélis teria negociado o recebimento de R$ 20 mil para parar de acusar Feliciano. O dinheiro teria sido entregue pelo chefe de gabinete do deputado, Talma Bauer, a Biazon, na quinta-feira (4), na garagem do prédio do assessor.


Ele, que diz ter conhecido a estudante após o assédio, teria recebido um pedido da jovem para repassar o valor para a conta do amigo em comum que os havia apresentado, para que ele repassasse o valor em parcelas mensais, para não levantar suspeitas da mãe de Lélis.

Imagens obtidas pela Folha mostram a estudante e Biazon se encontrando Bauer em um hotel no centro de São Paulo na semana passada. Lélis acusa o chefe de gabinete de tê-la ameaçado com uma arma e a obrigado a entrar em um carro para gravar vídeos em que desmente sua acusação contra Feliciano.

Nas imagens, feitas pela câmera de segurança do hotel, Lélis entra no saguão com Biazon. Logo em seguida, entra Bauer, que a abraça. A estudante o acusa de mantê-la em cárcere privado.

No vídeo também é possível ver, em outro momento, Lélis conversando com Bauer e cochichando com Emerson em um sofá do saguão do hotel, de onde se levanta, gesticulando, e sai de cena. Os dois homens permanecem sentados no sofá, conversando, para depois saírem também, um de cada vez. No final, ela é vista saindo do hotel com Emerson, Bauer e um terceiro homem, não identificado.

A gravação é datada de quinta à tarde, mesmo dia em que Bauer teria entregado o dinheiro a Biazon. Bauer chegou a ser detido na última sexta-feira (5), mas foi liberado depois do depoimento de Emerson, que contradisse a versão de Lélis.

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Talma Bauer, Patricia Lélis e Emerson Biazon (camisa amarela) saem de hotel em São Paulo

“Ninguém que está em cárcere privado, está sendo ameaçado, tem tanta liberdade assim”, afirma o delegado Luís Roberto Hellmeister, do 3º DP (Campos Elíseos), que cuida do caso. Agora, ele diz que investigará a origem do dinheiro.

O gerente do hotel afirmou a fontes ouvidas pela Folha que Bauer pagou a hospedagem de todos. Ele negou na semana passada proximidade com a jovem ou com Biazon, e que ela teria pedido para que ele não dissesse a ninguém sobre sua hospedagem.

OUTRO LADO

Bauer afirmou à Folha que a reunião no hotel se deu pela vontade da jovem de gravar um novo vídeo de retratação.

Lélis negou, em depoimento, ter recebido dinheiro de Feliciano ou de seu chefe de gabinete. A Folha tentou contato com a jovem, mas não obteve resposta. Neste domingo (7), ela registrou um boletim de ocorrência contra Feliciano, que ela acusa de tê-la agredido e tentado estuprar em seu apartamento funcional em Brasília, em julho.

Já o pastor, no sábado (6), gravou um vídeo afirmando que a acusação “não passa de uma grande farsa”. A Folha não conseguiu localizar Biazon.

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